Estar sentado olhando para a infinitude de torres cinzentas vidradas que curvam perante o horizonte, condicionam o meu saber do que devia ser, mas confuso e frágil esqueço a pergunta que deveria fazer neste momento.
Esqueço a pergunta, mas procuro sempre uma resposta. Respostas vazias e para isso decido entrar num McDonald’s, peço 3 Ave-Marias e 1 Pai-Nosso, “Não, não quero ketchup” digo ao Senhor Padre, um jovem que trabalha para comprar um novo computador.
Mal recebo a minha refeição uma fila de inergúmenos senhores de fato e mulheres de mini-saia levam-me numa fila portuguesa (recheada de pessoas a reclamar) para outra sala, onde uma estranha máquina cinzenta, constituída por mecanismos e tecnologia bizarra a meu ver..de facto, dessa máquina vemos um estranho seio gigante, que chama por todos os senhores e senhoras que, calmamente, se posicionam à sua frente.
O Grande Seio sempre tem estado por aí, todo ele é estado, um estado perpétuo que nos cria preguiça, todos reclamam, mas ninguém sai da fila, outros comentam, mas também não saem da fila.
Quando um pequeno assalariado ignorante prepara-se para chupar o leite do Grande Seio, a este o leite sai azedo. Ao seguinte o Grande Seio retira a sua alma ao pequeno cheio de ideias. E ao ignorante preguiçoso, a máquina, forçando o seu motor, deposita todo o leite em cima dele, cobrindo-o de leite.
Alguém ouve-me “Vem aqui para esta sala, aqui não nos ouvem”, acompanho-o, e é verdade o que dizem, 10 engravatados discutem os afazeres e chegam a algumas conclusões e ninguém os ouve e eles não se fazem ouvir por palavras,porém, achei-os geniais, pergunto se vão tentar espalhar a sua mensagem! Respondem-me “São ignorantes! Não percebem!”, “Não querem saber, mas nós percebemos!”, “Podemos editar isto num livro para lermos!”,
respondo,
Sabem muito;
Mas sabem tão pouco;
Vocês são tão poucos e eles muitos;
Nem todos os dedos mostram o caminho, mas o indicador sim…
Ou estarei a cair no meu vazio intelectual?
Bebo o último golo da porcaria deste café do Starbucks e percebo que este texto oco veio a propósito…
Pedro Guerra Ribeiro